Foi dessa inquietação que nasceu o Jormun.
Não acreditamos que o problema esteja na existência de muitas ferramentas. Pelo contrário, a diversidade de instrumentos é uma das grandes conquistas da tecnologia. O problema surge quando precisamos interromper constantemente aquilo que estamos fazendo para administrar as próprias ferramentas.
Uma pesquisa leva a uma leitura. Uma leitura desperta outra pergunta. Uma ideia pede uma referência. Criar, aprender e pensar raramente são atividades isoladas. São experiências que se desenvolvem, mudam de direção e muitas vezes nos levam a lugares inesperados.
Queremos construir um ambiente que reconheça essa natureza humana, oferecendo liberdade para organizar conteúdos e ferramentas ao redor daquilo que cada pessoa deseja realizar.
Para nós, imersividade não significa fugir do mundo, mas poder explorá-lo com continuidade. É estudar consultando diferentes fontes, criar mantendo referências por perto, trabalhar reunindo instrumentos necessários ou simplesmente desfrutar de um conteúdo sem que a interface dispute espaço com ele.
Também sabemos que nem todas as pessoas pensam, aprendem ou trabalham da mesma maneira. Uma organização que funciona para alguém pode não funcionar para outra pessoa. Não queremos impor uma única forma de usar a web. Queremos oferecer possibilidades para que cada um encontre a sua.
E existe algo que consideramos tão importante quanto a liberdade de explorar: a liberdade de se concentrar.
Compreender um conceito difícil, resolver um problema ou desenvolver uma ideia pode exigir tempo e atenção profunda. Nem sempre podemos evitar interrupções, mas podemos evitar que a própria tecnologia crie obstáculos desnecessários.
Isso não significa que todas as pessoas precisem produzir o tempo inteiro. Descansar, ouvir música, assistir a um filme, jogar ou navegar por curiosidade também são experiências legítimas. A tecnologia não deve decidir o que merece a nossa atenção.
Não queremos prender ninguém diante da tela. Rejeitamos modelos de publicidade que comercializam a atenção dentro do Jormun. Nosso objetivo é oferecer ferramentas significativas durante o tempo que você escolher utilizá-las.
Se alguém conseguiu aprender o que precisava, concluir seu trabalho, terminar uma criação ou aproveitar um momento de descanso, não precisamos inventar motivos para mantê-lo conectado por mais tempo.
Acreditamos também que a privacidade faz parte da liberdade. O histórico de uma pessoa, suas pesquisas e suas escolhas podem revelar aspectos íntimos de sua vida. Queremos respeitar esses limites, reduzir a coleta desnecessária de informações e priorizar o processamento local sempre que possível.
O ambiente deve pertencer à experiência de quem o utiliza. Não queremos transformar a jornada digital de uma pessoa em um perfil publicitário.
Nossa visão também inclui a inteligência artificial. Não enxergamos a IA como inimiga da humanidade, tampouco como substituta inevitável da capacidade humana de pensar.
Existe uma diferença entre receber uma resposta e compreender por que ela é verdadeira. Entre automatizar uma tarefa e desenvolver a habilidade de realizá-la. Entre encontrar uma solução e descobrir novas perguntas.
Queremos explorar formas de colaboração nas quais a inteligência artificial ajude a explicar conceitos, apresentar perspectivas, questionar argumentos e ampliar possibilidades de aprendizagem. Suas respostas precisam continuar abertas à verificação, à crítica e à correção.
Não rejeitamos a automação. Há tarefas repetitivas que podem ser facilitadas pela tecnologia. O que defendemos é a liberdade de escolher entre executar algo com mais eficiência e dedicar tempo a compreender como aquilo funciona.
A inteligência artificial deve ampliar nossas possibilidades sem retirar das pessoas a responsabilidade sobre suas escolhas. Essa é uma direção para o futuro do Jormun, não uma promessa de que todas essas ferramentas já estejam disponíveis no navegador atual.
Acreditamos que ideias importantes podem nascer de experiências simples. Uma dificuldade cotidiana pode revelar algo que não percebemos. Uma crítica pode nos fazer reconsiderar uma decisão. Uma sugestão pode abrir caminho para uma ferramenta que ajude muitas pessoas.
Queremos ouvir quem utiliza o Jormun. Não prometemos implementar todas as sugestões, mas queremos considerá-las com seriedade. Uma comunidade não deve existir apenas para acompanhar as decisões de quem desenvolve um produto. Ela também pode contribuir para orientar sua evolução.
Sabemos, entretanto, que crescer não é simplesmente acrescentar funcionalidades. Uma ferramenta pode se tornar tão complexa que acaba perdendo aquilo que justificou sua criação.
Por isso, cada novo recurso deve ter uma razão para existir. Cada integração precisa contribuir para a experiência. Cada mudança deve ser avaliada também pelo esforço que exige das pessoas.
Não afirmamos possuir todas as respostas. O Jormun continuará passando por experimentos, erros, revisões e descobertas. Nossa filosofia não nos torna incapazes de errar. Ela nos dá princípios para reconhecer quando precisamos mudar de caminho.
No fim, não queremos dizer às pessoas o que devem fazer com a internet. Queremos ajudá-las a descobrir o que podem fazer com ela.
Porque acreditamos que o verdadeiro valor da tecnologia não está apenas nas tarefas que ela consegue executar, mas nas possibilidades que abre para cada ser humano.
Imersividade para explorar.
Liberdade para criar.
Inteligência para evoluir.
Jormun — Uma filosofia em construção, aberta à experiência, ao pensamento e à participação humana.